“Quem não luta pelo que quer, não merece o que deseja”

sábado, 30 de maio de 2009

A memória psíquica

A construção do psiquismo inicia na interação pós-natal a partir de processos de satisfações, angústias e frustrações que o bebê estabelece na relação com a figura materna. Ela carrega em si a lembrança inconsciente da existência da mãe. Por isto que o bebê feliz não é meramente um estágio de gratificação plena, mas sim a somatória de todos os estágios e condições relacionais que o bebê vai configurando na relação com sua mãe, tanto de coisas boas como ruins. Mas podemos indagar como fica as crianças adotivas ou entregues as instituições sociais de internação integral sob privação materna? Se a lembrança da mãe é estruturante na formação do psiquismo e está cravado no inconsciente, poderíamos entender que um bebê que passou por perda da mãe terá dificuldades na constituição de vínculos afetivos e consequentemente estará fadada à infelicidade?
Estas questões norteiam a vida dos pais adotantes e tem dificultado o crescimento de pais com desejo de adotar. Mas sabemos que o psiquismo é energia que se compõe de processos, não é estanque, isto é, um bebê que passa pela privacidade da sua mãe biológica, terá nos braços que a acolhe a identificação da figura materna, por isto que hoje pensamos na idéia de que mãe e pai são aqueles que se fazem amor, relacionamento de acolhida. É verdade que bebês criados por suas mães biológicas poderão sofrer da ausência afetiva, tanto quando bebês que tiveram perdas reais de suas mães. A questão está na contingência de amor que uma mulher se dispõe a ser para com um bebê. A memória psíquica é de contato real, e da sensação estabelecida na relação, no vínculo. Mesmo em situações em que o bebê é acolhido por um internato, ela terá nos braços das funcionárias que se fazem de mãe, a potencialização do estabelecimento de vínculo afetivo. Neste sentido, as boas instituições estão cuidando para que as babás sejam fixas e até se criou o conceito de mães substitutas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário